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Nesta
exposição, Xana apresentou obras
inéditas realizadas em 2007 que são o
desenvolvimento das suas pesquisas com pinturas digitais
cinéticas apresentadas na sua
exposição antológica, realizada na
Culturgest em 2005.
"O Falso Díario de A.
B. " é o titulo
enigmático do conjunto de obras apresentados na
Central Tejo - numa instalação que
conjugou o vídeo, o desenho e a escultura.
O
núcleo central da exposição era um conjunto de cinco vídeos
realizados em Madrid, Lisboa e Lagos, locais em que o artista filmou
algumas vivências quotidianas, como uma visita a um Museu, a
permanência numa discoteca ou um passeio urbano. Esses
vídeos foram montados e sujeitos à
intervenção de desenhos digitais ou
frases/legendas que se sobrepõem às imagens
iniciais criando uma narrativa ficcional de múltiplas
leituras.
Esta
instalação de vídeos era
contextualizada pela presença de uma escultura
cenográfica constituída por 720 baldes de
plástico vermelho, intitulada ironicamente de "Muro de Lisboa"
e enquadra-se no seguimento de outras obras realizadas pelo artista,
desde 1989, com objectos industriais. Apesar da efemeridade e do
caracter eminentemente estético desta
construção, é obvia a
referência conceptual deste muro com o mítico "The
Wall", tema dos Pink Floyd, com o Muro de Berlim ou com
tantos outros muros que separam as comunidades em conflito, como o
actual muro entre Israel e a Cisjordânia.
Como
afirma João Pinharanda, comissário da
exposição, "o que acontece nas
experiências que agora se apresentam pela primeira vez, ...
revela a faceta crítica, complementar da obra de Xana.
Sobrepondo realidades diversas (pequenos filmes, fotos, desenhos,
curtas animações, frases marcantes) Xana prolonga
experiências fotográficas de 2003 e parece
proceder à depuração de um conjunto de
vastas colagens (de 1985, série "Raspar as palavras") onde
acumulava tematicamente imagens de políticos e factos
históricos, alimentos, paisagens, artistas e obras de
arte… mantendo um espírito de registo documental
e comentário crítico e cruzando-o com testemunhos
de subjectividade imediata. Assim constituiu um arquivo de olhares
banais sobre coisas banais, de momentos de alegria fútil nos
convívios sem história entre amigos ou de
voyeurismos sem consequências. Um arquivo de imagens
nauseantes da sociedade de consumo, paisagens devastadas pela
urbanização, paródias à
massificação da cultura...
A
intervenção dos seus desenhos nas imagens
filmadas e nas fotos mantinha o marcante carácter
de surpresa e contradição cromática e
formal, humor e desestabilização. Do mesmo modo,
certas frases (com efeito semelhante às que usara nos anos
80 em pequenas colagens de jornal) regressam como legendas finais
constituindo comentários que integram inteligência
verbal e inteligência visual — formas
e ideias sobre a felicidade e a nostalgia, a
perdição e a salvação do
mundo. Xana torna artístico o que o não
é e altera o estatuto das imagens que o são
– manipulando todos os dados disponíveis de um
modo aparentemente narrativo provoca sucessivos incidentes."
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